‘Sentir-se bem não basta’: médico do HM e corredor alerta para doenças cardíacas silenciosas e defende exames antes de provas de resistência

 em Humanização

Cuidados com a saúde são fundamentais para todas as pessoas que praticam atividades físicas, especialmente aquelas que se dedicam a exercícios de alta intensidade, como as corridas de longa distância. O médico cardiologista Rodolfo Almeida, que é diretor assistencial do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires (HMDJMP), centro de referência em cardiologia no estado e gerenciado pela Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde), alerta que exames antes das provas de resistência podem salvar vidas. 

Além de especialista em cardiologia, o médico Rodolfo Almeida também conhece a rotina das corridas de rua na prática, como corredor amador.

Eu corro. Acordo antes do sol nascer, calço o tênis e coloco o corpo em movimento. Conheço a euforia da chegada e o orgulho da medalha. E é exatamente por ter dois olhares, do cardiologista e do corredor amador que defendo a realização de exame de aptidão física antes das corridas”, destacou.

Segundo o cardiologista, as corridas de longa distância submetem o coração a um esforço extremo e prolongado.

“O problema é que diversas condições cardíacas de risco são completamente silenciosas no dia a dia e só se revelam durante esse esforço máximo”, observou. 

Entre as principais condições de risco estão a cardiomiopatia hipertrófica, arritmias malignas e doença coronariana silenciosa. O especialista ressaltou que uma das frases mais perigosas que um corredor pode dizer é “Mas eu me sinto bem e treino há anos”. Ele alertou que “sentir-se bem não exclui uma condição cardíaca de risco. Treinar com regularidade não é o mesmo que ter o coração avaliado”. 

O médico reforçou que a avaliação cardiológica pré-participação é um processo acessível e fundamental para garantir segurança aos atletas.

“É necessária uma avaliação pré-participação bem conduzida e, na grande maioria dos corredores, essa avaliação é tranquilizadora. O que ela faz é identificar a minoria que precisa de atenção”, explicou

O primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro. Nela, o médico de família realiza a avaliação inicial e identifica possíveis fatores de risco. Segundo Rodolfo Almeida, para a maioria dos corredores jovens e sem fatores de risco, a avaliação clínica pode ser o suficiente para a emissão do laudo. Quando identificada alguma alteração, é realizado o encaminhamento ao cardiologista. 

“Como cardiologista, já vi o alívio de quem descobriu uma arritmia tratável antes de uma prova. E já vi o luto de quem não teve essa chance. Correr transforma, liberta e é uma das melhores coisas que alguém pode fazer pela saúde. Mas correr com o coração avaliado é a única forma de garantir que haverá próxima largada”, finalizou o especialista. 

No Diário Oficial do Estado (DOE), desta terça-feira (26), foi publicada uma lei que torna obrigatória a apresentação de laudo cardiológico para competidores participarem de corridas de maratona e meia maratona na Paraíba. De acordo com a  Lei nº 14.486, de 25 de maio de 2026, os participantes deverão apresentar, no ato da inscrição, um laudo médico emitido há, no máximo, seis meses, atestando aptidão física para participação nas provas.

Postagens Recomendadas